7 de dezembro de 2010

Existe vida após o job?

Até que enfim entregamos a campanha...
A que horas você sai da agência? 8, 10, meia-noite, ou já estão te chamando de guarda noturno?

Pegando carona nos posts sobre musas e referências: todo criativo precisa se alimentar da vida pra poder “ser criativo”. Precisa assistir a filmes, ler livros, visitar exposições, ir ao teatro, ao bar, encontrar pessoas, ouvir histórias, blá, blá, blá. Você já escutou isso muitas vezes. Enfim, precisa ter vida social - e vida social não é Facebook.

Então, vamos combinar uma coisa? Não dá pra fazer nada disso trabalhando até as 10 da noite todos os dias. Por mais amor que você tenha à profissão, a vida real não se restringe ao ar condicionado e às paredes da agência.

Quem já virou noite pra entregar o job na primeira hora do dia seguinte sabe que, às vezes, o layout fica parado em cima da mesa do atendimento, e isto é revoltante. Respeite o tempo alheio pelo amor de nossos filhos.

E quem vira a noite, chega às 10, 11 ou 14h (com direito). Como entrosar uma equipe dessa forma? Com tantos horários diferentes, acabou a disciplina. E disciplina em criação é sentar com 1 ou 5 pessoas, discutir, pensar e ter idéias. Precisa se criar um processo, até pro atendimento prometer um prazo pro cliente. Se cada um chegar na hora que o corpo manda, a coisa toma uma proporção que, por pouco, ninguém mais consegue ir pra casa.

Antigamente, nossos antepassados publicitários trabalhavam até o sol raiar, arrastando correntes pela agência, mas ganhavam rios de dinheiro. Em contrapartida, alguns ganhavam casamentos fracassados, filhos carentes, úlceras, mas tudo bem, a grana tava entrando… isso não é vida. Hoje os anos não são mais dourados e ninguém aqui está milionário. Mas a grande maioria continua trabalhando como camelos.

Vamos cair na real: o glamour da profissão já está morto, como diz um amigo. Administrar o tempo da equipe e catequizar o cliente para que planeje melhor suas ações é a pá de cal que está faltando pra que essa propaganda reencarne em uma profissão com pessoas sãs.
E olha que hoje temos toda tecnologia na mão pra fazer nosso trabalho render.

É possível ter boas idéias, ganhar prêmios e ainda ter lucro, trabalhando no horário comercial? E com chefe na cola e telefone tocando na orelha? Sim. É preciso que cada vez mais profissionais provem que é possível.