ENLARGE YOUR LOGO
13 de março de 2014
8 de março de 2014
2 de julho de 2012
27 de junho de 2012
Pensamento tipológico
Se combinei encontrar-me com um colega no aeroporto, para o localizar a multidão basta-me prestar atenção aos homens que passam e, como o meu colega já tem alguma idade, excluir os ainda jovens. Assim, identificá-lo-ei mais rapidamente no meio de todas as cabeças grisalhas que consigo ver. Este é um comportamento espontâneo da mente: a capacidade de triagem que lhe permite aceder àquilo que quiser. Todos os registros de uma identidade individual começa pela a detecção do tipo. O tipo (em termos de lógica: a classe) dá-nos os primeiros, e mais gerais, sinais do indivíduo.
Na comunicação gráfica passa-se exatamente o mesmo: antes de se descobrir qual é exatamente o filme anunciado num cartaz, reconhece-se logo que este se refere a um filme e não, digamos, a moda. Cada mensagem preanuncia-se pelo seu género, com o correspondente código gráfico. Uma mensagem sem género, sem conter uma determinada linguagem, é uma mensagem lenta, levando mais tempo a ser descodificada. O género – o tipo – adianta ao receptor a informação que lhe permite, antes de ler o conteúdo da mensagem, selecionar o paradigma interpretativo apropriado.
O mesmo se passa com a identidade corporativa: a marca desenhada para um gabinete de advocacia não pode servir como marca para uma empresa petrolífera. Os tipos marcários identificam o indivíduo antes de se ler o seu tipo particular.
O mesmo se passa com a identidade corporativa: a marca desenhada para um gabinete de advocacia não pode servir como marca para uma empresa petrolífera. Os tipos marcários identificam o indivíduo antes de se ler o seu tipo particular.
O processo codificador é análogo ao processo descodificador: todo a concepção de uma marca começa obrigatoriamente pela identificação do (ou dos) tipo pertinente. A primeira etapa do desenho de uma marca é verbal: «esta empresa precisa de um logótipo tipográfico puro e um símbolo icônico, ou, em alternativa, abstrato». Com esta «hesitação» na frase anterior, queremos dizer que o rigor tipológico não sempre é absoluto. O grau de condicionamento do tipo é variável, dependendo de um certo número de fatores, tais como:
- O setor: tipos codificados setorialmente a respeitar ou, mesmo, a evitar.
- O nome: dimensão e estrutura do nome institucional.
- Condições de leitura: distâncias, velocidades, suportes de comunicação.
- Arquitetura da marca: a unidade ou a diversidade de marcas articuladas.
- Etc.
Mesmo em casos de maior liberdade, haverá tipos mais eficazes do que outros, ainda que isto não possa ser determinado antecipadamente. Nesses casos, um teste inicial tipológico, ou seja, uma amostra de soluções alternativas genéricas (com ou sem fundo, com ou sem símbolo, com ou sem acessórios), sem entrar no detalhe do desenho, fará «saltar à vista» o tipo mais apropriado.
Em síntese, por mais perfeito que seja, o desenho do signo nunca poderá salvar uma marca tipologicamente errada. Tomemos como exemplo algumas marcas existentes:
A empresa compreendeu, com o uso da marca, que esta não cumpria, na prática, as condições para a sua comunicação que exigiam um símbolo no seu sentido mais restrito (tipo SHELL), tendo-se visto obrigada a mudar de tipo, embora mantendo alguma coisa do desenho original para evitar uma situação de ruptura (mas, como é evidente, “as sequelas nunca são boas”). Correto seria ter acertado no tipo certo desde o início, coisa que nem sequer era muito difícil.
Passemos agora ao caso GAP:
Encontrar a solução não se trata apenas de uma questão de criatividade mas, muitas vezes, também de senso comum: fortalecer a capacidade taxonómica ou de classificação e escolher o tipo certo antes de começar a desenhar. A seleção tipológica começa pela comparação da entidade (o seu perfil e condições de comunicação) com os «megatipos» de marcas, que são seis e apenas seis.
Esquema de megatipos de marcas gráficas (Cassisi, Belluccia, Chaves).
Cada um destes «megatipos» exibe uma tipologia interna que nos fornece matizes, permitindo segundas seleções que vão definindo a marca com maior precisão e ajuste ao caso. Entre estes «megatipos» podemos, obviamente, identificar tipos híbridos cujas identidades genéricas cintilam, por assim dizer, conforme o ponto de vista dá prioridade a uma ou outra característica. Um «logótipo com fundo», de acordo com as características desse fundo, pode aproximar-se do «logo-símbolo» e um «logótipo com acessório», dependendo das características do acessório e da sua forma de uso, pode se aproximar do tipo «logótipo com símbolo».
A quantidade de possibilidades é enorme e o trabalho sob o método de eliminação progressiva de tipos não pertinentes permite uma aproximação rápida aos tipos e subtipos de maior sucesso, tal como testar com mais detalhe as variantes internas. Assim, a qualidade final aumenta.
Grande parte das «más marcas» não o são devido à má qualidade do seu desenho formal, mas simplesmente devido a um erro de apreciação tipológica: o designer começou a desenhar signos, sem fazer uma pré análise tipológica, partindo de receitas ou preconceitos, irrefletidamente assimiladas como sendo corretas, que tem sobre um tipo.
Assim, após encontrar o tipo certo, devemos passar a considerar um novo plano riquíssimo em variações: o estilo. Duas marcas do mesmo tipo podem dar resposta a estilos gráficos opostos. Mas o estilo também identifica, isto é, o estilo, juntamente com o tipo, é a característica que fala de forma mais clara sobre a identidade, sendo muito mais sugestivo que os possíveis conteúdos semânticos do signo. Mais isso é já outra questão.
Após a publicação deste texto, Luciano Cassisi avançou com a caracterização de tipos de marca no seu artigo «Cómo definir el tipo marcario adecuado».
extraído daqui
15 de junho de 2012
7 de dezembro de 2010
Existe vida após o job?
| Até que enfim entregamos a campanha... |
Pegando carona nos posts sobre musas e referências: todo criativo precisa se alimentar da vida pra poder “ser criativo”. Precisa assistir a filmes, ler livros, visitar exposições, ir ao teatro, ao bar, encontrar pessoas, ouvir histórias, blá, blá, blá. Você já escutou isso muitas vezes. Enfim, precisa ter vida social - e vida social não é Facebook.
Então, vamos combinar uma coisa? Não dá pra fazer nada disso trabalhando até as 10 da noite todos os dias. Por mais amor que você tenha à profissão, a vida real não se restringe ao ar condicionado e às paredes da agência.
Quem já virou noite pra entregar o job na primeira hora do dia seguinte sabe que, às vezes, o layout fica parado em cima da mesa do atendimento, e isto é revoltante. Respeite o tempo alheio pelo amor de nossos filhos.
E quem vira a noite, chega às 10, 11 ou 14h (com direito). Como entrosar uma equipe dessa forma? Com tantos horários diferentes, acabou a disciplina. E disciplina em criação é sentar com 1 ou 5 pessoas, discutir, pensar e ter idéias. Precisa se criar um processo, até pro atendimento prometer um prazo pro cliente. Se cada um chegar na hora que o corpo manda, a coisa toma uma proporção que, por pouco, ninguém mais consegue ir pra casa.
Antigamente, nossos antepassados publicitários trabalhavam até o sol raiar, arrastando correntes pela agência, mas ganhavam rios de dinheiro. Em contrapartida, alguns ganhavam casamentos fracassados, filhos carentes, úlceras, mas tudo bem, a grana tava entrando… isso não é vida. Hoje os anos não são mais dourados e ninguém aqui está milionário. Mas a grande maioria continua trabalhando como camelos.
Vamos cair na real: o glamour da profissão já está morto, como diz um amigo. Administrar o tempo da equipe e catequizar o cliente para que planeje melhor suas ações é a pá de cal que está faltando pra que essa propaganda reencarne em uma profissão com pessoas sãs.
Vamos cair na real: o glamour da profissão já está morto, como diz um amigo. Administrar o tempo da equipe e catequizar o cliente para que planeje melhor suas ações é a pá de cal que está faltando pra que essa propaganda reencarne em uma profissão com pessoas sãs.
E olha que hoje temos toda tecnologia na mão pra fazer nosso trabalho render.
É possível ter boas idéias, ganhar prêmios e ainda ter lucro, trabalhando no horário comercial? E com chefe na cola e telefone tocando na orelha? Sim. É preciso que cada vez mais profissionais provem que é possível.
É possível ter boas idéias, ganhar prêmios e ainda ter lucro, trabalhando no horário comercial? E com chefe na cola e telefone tocando na orelha? Sim. É preciso que cada vez mais profissionais provem que é possível.
22 de novembro de 2010
Vamos quebrar as regras! Mas quais são elas?
| Duas obras do mesmo gênio: Picasso clássico e moderno. |
O atendimento ou o diretor de criação questiona alguma coisa no layout. O redator ou diretor de arte solta essa: “...ah, mas as regras foram feitas para serem quebradas!”
Todo mundo aqui já viu ou ainda vai ver isso acontecer ou tá dizendo aí que tem um amigo que já fez isso.
Nada contra (muito ao contrário) quebrar regras.
O problema é que essa frase, na maioria das vezes, já virou muleta no departamento de criação, no atendimento, no financeiro e em qualquer lugar do mundo corporativo, agência de propaganda, banco ou restaurante.
Basta existir alguém querendo mascarar a falta de conhecimento pra se ouvir o grito dos sem noção.
Imagina se você é um cozinheiro sem experiência, querendo quebrar as regras nas receitas do restaurante que acabou de te contratar. Legal, hein?
Quebrar regras requer sabedoria. É “fácil”, você primeiro aprende a fazer, depois propõem o ousado. Tem que acontecer nessa ordem.
Em arte poderíamos dizer que o conhecimento do clássico vai te dar bagagem e coragem de criar o moderno.
Grandes campanhas, estratégias originais ou ótimo design só podem ser chamados assim pois quebraram regras? Também. Às vezes, quando tudo está meio desnorteado, inovar pode ser até fazer a coisa seguindo a regra.
Assinar:
Postagens (Atom)



